segunda-feira, 29 de abril de 2013

A PRIMEIRA GUERRA MUNDIAL (1914-18)




A Europa antes da guerra – disputa entre Inglaterra e Alemanha

Graças à sua indústria, a Inglaterra dominava a maioria dos mercados consumidores mundiais. Mas, a indústria alemã, logo após a unificação (1870), desenvolveu-se e o país passou a procurar mercados consumidores e fontes de matérias-primas.

A Alemanha projetou a construção de uma estrada de ferro ligando a cidade de Berlim a Bagdá para ter acesso ao petróleo do Golfo Pérsico e aos mercados orientais. A Inglaterra foi contra porque criaria dificuldades para o comércio com suas colônias.

Para deter o avanço da Alemanha, os ingleses procuraram alianças.

O sistema de alianças



Em 1904, a França aliou-se à Inglaterra por ter perdido a Alsácia-Lorena (parte importante do seu território, rica em ferro e carvão) para a Prússia (Guerra Franco-Prussiana, 1870-71) que, depois passou a ser Alemanha. O ódio francês voltou-se contra a Alemanha que ainda detinha essa parte do seu território. França e Alemanha também disputavam o domínio do Marrocos, no norte da África.

A crise dos Bálcãs

Em 1908, dois estados eslavos, a Bósnia e a Herzegovina, foram anexados ao Império Austro-húngaro, contrariando o ideal nacionalista (pan-eslavismo) da união e autodeterminação dos povos eslavos.

 A paz armada

Os governos capitalistas clamavam pela paz, mas estimulavam a fabricação de armamentos e recrutavam civis para o exército. O militarismo cresceu e era cada vez mais difícil manter o equilíbrio entre as nações imperialistas. Os focos de tensão e a disputa pela supremacia levaram os países europeus à corrida armamentista.

A formação da Tríplice Entente e da Trípice Aliança

Para defender seus interesses, as nações européias buscaram alianças. Surgiram dois blocos: a Tríplice Entente (França, Inglaterra e Rússia) e a Tríplice Aliança (Alemanha, Itália e Áustria-Hungria).



O pivô da guerra



No dia 28 de junho de 1914, o arquiduque Francisco Ferdinando, herdeiro do Império Austro-húngaro, em visita a Sarajevo, capital da Bósnia, foi assassinado por um estudante sérvio membro de uma organização terrorista chamada “Mão Negra”. Imediatamente a Áustria-Hungria acusou a Sérvia pelo assassinato do herdeiro e ameaçou invadi-la. Foi o estopim para a deflagração da Primeira Guerra Mundial.



O inicio da guerra

Um mês após o assassinato do herdeiro do Império austro-húngaro em Sarajevo (28/7) a Áustria declarou guerra à Servia.

Contou com o apoio da Rússia, que mobilizou seus exércitos contra a Áustria e a Alemanha.

A crise dos Bálcãs acabou envolvendo também outras nações européias, numa autentica reação em cadeia:

Alemanha – declara guerra à Rússia e à França;

Inglaterra – declara guerra à Alemanha, no momento em que o exército alemão invadiu a Bélgica para, em seguida, atacar a França;

Itália – entrou na guerra ao lado da entente porque a Inglaterra lhe prometeu os territórios irredentos, que não conseguira conquistar da Áustria no processo de unificação;

 Japão – aderiu aos Aliados porque estava interessado nas possessões alemãs no Oriente.




Nessa primeira fase da guerra, a Inglaterra decretou um bloqueio naval contra a Alemanha e seus aliados. Enquanto isso, a França conseguia deter o avanço alemão sobre Paris.



Com o avanço da guerra, a indústria armamentista cresceu. Surgiram armas como a metralhadora, o lança-chamas e os projeteis explosivos. Além disso, novos recursos foram utilizados, como a avião e o submarino.



Momentos decisivos da guerra

A partir de 1917 ocorreram alterações significativas :

Saída da Rússia do conflito mundial devido a uma revolução socialista no país;

Entrada dos EUA no conflito, ao lado da Entente, porque temiam a perda de seus investimentos na Europa. O pretexto foi o afundamento de navios norte-americanos por alemães.



O Brasil declara guerra à Alemanha após o ataque de submarinos alemães a navios brasileiros.

 Entretanto, a participação brasileira na guerra foi muito pequena, limitando-se ao envio de uma missão médica e ao policiamento do Atlântico pela Marinha.

Com a saída da Rússia, alemães e austríacos lançam toda a sua ofensiva contra a França. Com ajuda militar de ingleses e norte-americanos, a França faz com que as tropas alemãs recuem. França e Bélgica são desocupadas. Era o inicio do fim.



Na Alemanha, a crise econômica e o avanço das idéias socialistas provocam inúmeras manifestações contra o governo. Em 1918, Guilherme II, bastante enfraquecido, abdicou e a republica foi proclamada (9/11/1918). O novo governo assina o Armistício de Compiègne (11/11/1918).



Os alemães foram obrigados a:

Desocupar o território ocidental europeu;

Entregar o material de guerra pesado;

Libertar prisioneiros;

Pagar indenizações de guerra.

A volta da paz

Na Conferência de Paris (janeiro de 1919), alguns chefes de Estado reuniram-se para impor pesadas penas aos derrotados. A conferencia foi liderada por Lloyd George, representante inglês, Clemenceau, francês, e Woodrow Wilson, presidente dos EUA.

Vários tratados foram assinados. O mais importante foi o Tratado de Versalhes, que, entre outras coisas, obrigava a Alemanha a restituir a região da Alsácia-Lorena à França.



Reação do povo alemão

O povo alemão considerou injustas, vingativas e humilhantes as condições impostas pelo Tratado de Versalhes. O país perdia 2/10 da população ativa, 1/6 das terras cultiváveis, 2/5 do carvão, 2/3 do ferro e 7/10 do zinco, gerando sérios problemas econômicos.

A Conferência de Paris e os 14 Pontos do Presidente Woodrow Wilson (EUA)

O presidente Wilson apresentou à opinião pública internacional os 14 Pontos, propondo uma paz na qual não houvesse vencidos nem vencedores. Também idealizou a Sociedade das Nações ou Liga das Nações, com sede em Genebra, na Suíça, com a finalidade de manter a paz mundial. Mais tarde, os EUA saíram da Liga das Nações, pois o Senado norte-americano não quis ratificar o Tratado de Versalhes.
 
Efeitos da Primeira Grande Guerra



Foram muitos e significativos:

A Europa perdeu 10 milhões de homens e ficou com 40 milhões de inválidos;

Os campos destruídos afetaram a produção agrícola, os portos e as estradas foram arrasados, o que prejudicou o comércio, e as cidades foram arruinadas;

 A ascensão dos EUA como grande potência do mundo ocidental, devido aos enormes lucros obtidos com a guerra;

O declínio econômico do Império Britânico;

O aumento da participação das mulheres no mercado de trabalho durante o período da guerra ocasionou movimento o em prol do voto feminino logo após o térmico do conflito;

O desemprego acentuou-se nos países europeus;

O avanço das idéias socialistas, consagradas pela Revolução Russa de 1917;

O avanço e fortalecimento dos nacionalismos, que se tornaram radicais na Itália, na Alemanha, na Espanha e em Portugal. No Brasil, teremos Getúlio Vargas como representante desse nacionalismo.






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